No dia 20 de fevereiro, na praia de Tramandaí, aconteceu o 1º encontro da Associação de Carros Antigos do Litoral Norte e 5º encontro de carros antigos à beira mar. Dia 20 de março acontecerá o encontro do clube Chevette RS em Porto Alegre, na praça da Encol, próximo a Nilo Peçanha, uma comemoração aos 8 anos do clube.
sábado, 5 de março de 2011
quarta-feira, 2 de março de 2011
Mostra de vídeo independente
Hoje, Quarta-feira dia 02/03, terá a apresentação da 109ª Mostra de Vídeo Independente na Casa de Cultura Mário Quintana.
Horário: 19:30
Sala C2 - 2º andar
Entrada Franca
Coordenação: NS Vídeo Produções - Nicanor Santos
Horário: 19:30
Sala C2 - 2º andar
Entrada Franca
Coordenação: NS Vídeo Produções - Nicanor Santos
domingo, 27 de fevereiro de 2011
Naquela tarde
Todas as vezes que fui à Feira do Livro encontrei Moacyr Scliar caminhando por lá. Eu queria me aproximar dele, mas nunca tinha coragem, não sabia o que dizer para um escritor tão conhecido, tão elogiado. Eu, quem sou eu? Mas eu queria conhecer Moacyr Scliar de perto, ouvir a voz dele, saber o que ele pensava, de que forma ele conversava. Era assim em todas as Feiras do Livro, mas eu não me aproximava. Olhava de longe. Então nesta última Feira criei este blog, com ajuda do meu amigo. Mas eu precisava escrever, no meu espaço, alguma coisa, sobre alguma coisa. Eu queria SABER ESCREVER, então vi Moacyr Scliar caminhando na Feira do Livro, igual de outras vezes. Agora eu tenho um blog, pensei, tenho alguma coisa para dizer. E fiquei olhando o Moacyr. Ele tinha um encontro com o povo na hora do bate-papo no estande da Caixa Econômica Federal. Ele caminhou por perto, foi embora. Eu fiquei esperando, entrei no estande com minha máquina fotográfica pronta para um clic. Estava na hora, Moacyr Scliar chegou, tinha pouca gente naquele momento, mesmo sem jeito, em silêncio, bati uma foto de quando ele pegou um cafezinho para beber. Eu queria ver cada gesto, escutar cada palavra, quem sabe para "copiar em mim" um pouco de intelectualidade. Igual criança fiquei cuidando, querendo ficar perto, senti medo, então segurei meu caderno e comecei a escrever tudo que ele falava, todas as palavras, não parei até que tudo fosse dito e finalizado o bate-papo. Primeiro foram as fotos dos primeiros gestos, espontâneos, naturais, mas nenhuma palavra escapou dos meus ouvidos. Moacyr Scliar naqueles momentos era um anjo caido do céu, era ele quem ia preencher o meu blog, era ele o meu assunto preferido, a minha vontade de escrever, quem eu queria ser naquelas horas. Finalmente eu tive coragem para me aproximar. Então descobri que Moacyr Scliar era uma pessoa simples no falar, no modo de ser, sério ao contar sua história de vida, agradecido. Ouvi-lo me deixou realizada, foi especial, sei tudo que ele foi, mas guardarei comigo as palavras daquela tarde. Em relação a prêmios foi a melhor coisa que escutei: "Se nós aprovamos o que fazemos é a condição básica, é o melhor prêmio". Obrigada Moacyr Scliar, você sempre vai existir. Eu aprovo meu blog, e você foi um prêmio.
Naquela tarde na Feira do Livro me despedi sem saber. Sentirei falta de Moacyr Scliar passeando pela Feira do Livro. Há poucas horas fiquei sabendo que Moacyr Scliar faleceu nesta madruga.
A descoberta
Ver o que já se sabe é diferente de apenas saber. Ver é aceitar. Descobrir o que estava encoberto para nos
enganar outras vezes. Não pensa, não fala, não reclama, não olha, esquece. A descoberta "pasma". Cada um tem o seu momento. O que dizer, quando não quero contar? Mas algo insiste em me pertubar?
Não é possível esquecer o que incomoda. Não tem tempo, não tem distância que seja remédio, não tem remédio. Lendo a crônica da Martha Medeiros (ZH/27/02/11) intitulada "Som e fúria", refleti sobre o comentário do filme "O Discurso do Rei", onde ela diz: Uma das razões que levou o rei George VI a sofrer de uma gagueira aparentemente incurável foi o fato de passar por alguns constrangimentos na infância e sofrer tudo calado". Taí, "sofrer em silêncio", engolir a raiva, quem não sente? Sufocar os sentimentos, ficar obediente a tudo que é tipo de regra, porque qualquer "aumento de voz", qualquer lágrima que role pode ser "loucura", "desequilíbrio". Penso que é justo o "silêncio da dor" que nos adoece. Como diz Martha Medeiros, ainda neste mesmo texto "...fiz minha voz sair não pela boca, e sim pelos dedos", aprendi a fazer isto. Escrevo para o mundo, não mais nos "meus caderninhos". Pois não sou diferente de ninguém, nem mais certa, nem mais torta. E quero ser assim, verdadeira. Sou atriz, mas fingir não é atuar, ser atriz é um estudo de outras histórias de vida, é saber interpretar outras personalidades, mas não é fingir. Alguma coisa me dói agora. Estou "gaguejando" em meus pensamentos. Descobrir, tirar o que está cobrindo, ver o que está escondido, e se é assim....melhor o silêncio, melhor a dor. Será? Será? Se..se...se..rá?
Pensamento
"Não relegue para depois o que pode fazer agora. Depois pode ser tarde..." (não sei quem disse), pensei.
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